Assinada pelo fotógrafo Michael Spencer Jones e idealizada pelo designer Brian Cannon, a capa foi pensada para parecer espontânea, quase casual, como se o espectador tivesse sido convidado a observar a banda sem filtros. A cena mostra os integrantes relaxados, assistindo ao clássico Três Homens em Conflito na televisão, numa composição que remete à famosa foto dos The Beatles em um quarto de hotel. Referência direta à ideia de “mosca na parede”, tão cara a Cannon.
Mas por trás da aparente simplicidade, existe um cuidadoso jogo de símbolos. Brian Cannon buscou inspiração no Retrato de Arnolfini, obra renascentista do século XV conhecida pela riqueza de metáforas visuais. Assim como na pintura, cada objeto presente na capa de Definitely Maybe carrega significado. O disco de Burt Bacharach, fotos dos jogadores Rodney Marsh e George Best, um flamingo rosa, cigarros Benson and Hedges. Elementos retirados de casas de amigos, do estúdio e da própria banda, compondo um mosaico íntimo e pessoal.
O processo criativo também passou por caminhos descartados. Noel Gallagher chegou a sugerir uma foto da banda em torno de uma mesa de jantar, em alusão direta aos Beatles, mas a ideia foi abandonada por limitações práticas. A solução encontrada, uma lente grande angular em um espaço pequeno, acabou sendo decisiva para o caráter da imagem. Até sugestões mais provocativas, como a ideia de Liam Gallagher envolvendo uma faca cravada em um pedaço de manteiga, foram deixadas de lado em favor de algo mais duradouro.
O impacto foi imediato. Definitely Maybe se tornou o álbum de estreia com vendas mais rápidas da história do Reino Unido à época, e sua capa passou a simbolizar uma Manchester pulsante, orgulhosa e barulhenta.
Três décadas depois, aquela sala de estar continua sendo um dos cenários mais emblemáticos da história do rock britânico. Prova de que, às vezes, a grandeza nasce do que parece simples.
Veja abaixo uma perfomance ao vivo de Live Forever, um clássico definitivo da banda, hit poderoso do álbum de estreia.