Lançada no auge de um Brasil que ainda acreditava em refrões leves e humor escancarado, Coisa de Maluco virou trilha sonora instantânea de rádios, programas de auditório e festas improvisadas. A canção tinha tudo para funcionar naquele tempo específico, com letra simples, groove fácil e uma irreverência quase ingênua. Parecia rir de si mesma antes que alguém tentasse levá-la a sério. Um caso clássico de one-hit wonder, já que a banda não conseguiu produzir outro sucesso com a mesma dimensão.
A banda Fincabaut nunca se apresentou como projeto grandioso ou manifesto estético. Era música de momento, feita para circular rápido, grudar no ouvido e desaparecer sem pedir explicação. Talvez por isso mesmo tenha funcionado tão bem. Coisa de Maluco não foi feita para durar, só acontecer. E aconteceu.
Ao abrir a cápsula do tempo, é possível notar que a música carrega um Brasil mais despreocupado, menos cínico, onde um hit podia existir sem a obrigação de virar legado. Não construiu discografia sólida, não gerou continuidade, mas deixou um rastro lúdico, que até pode ter sido fugaz, mas grudou.