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Luiz Melodia, 75 anos: a elegância rebelde da canção brasileira
Entre o samba, o soul e a poesia urbana, um artista que nunca pediu licença.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 07/01/2026 06:30
Música
Melodia construiu uma das trajetórias mais singulares da música brasileira (Foto: Divulgação)

Se estivesse vivo, Luiz Melodia completaria 75 anos nesta quarta-feira, 7 de janeiro. Filho do morro do Estácio, no Rio de Janeiro, Melodia construiu uma das trajetórias mais singulares da música brasileira, guiada pela independência estética, pela recusa a rótulos fáceis e por uma obra que atravessa gêneros sem jamais perder identidade.

Sua estreia em disco veio em 1974, com o emblemático Pérola Negra, trabalho que o colocou imediatamente entre os grandes compositores de sua geração. Ali estavam canções que se tornariam definitivas, como Pérola Negra, Estácio Holly Estácio e Magrelinha, misturando samba, soul, funk, blues e lirismo urbano com uma naturalidade rara. O álbum é hoje considerado um clássico absoluto da MPB.

Ao longo das décadas seguintes, Melodia manteve uma produção constante e coerente, lançando discos como Maravilhas Contemporâneas, Mico de Circo, Nós e Felino, nos quais aprofundou sua relação com o pop sofisticado, o samba-canção e a música negra americana. Mesmo quando dialogava com o mercado, nunca abriu mão do controle artístico nem da palavra afiada, muitas vezes melancólica, muitas vezes irônica.


Nos anos 1990 e 2000, Luiz Melodia foi redescoberto por novas gerações, especialmente após o sucesso tardio de Estação Melodia, que deu título ao álbum Estação Melodia. A canção virou hino radiofônico, sem jamais perder sua delicadeza. Ao lado de outras joias como Juventude Transviada, Codinome Beija-Flor e Sabor de Veneno, reforçou o alcance atemporal de sua obra.

 
Luiz Melodia partiu em 2017,  vítima de um mieloma múltiplo, tipo raro de câncer que acomete a medula óssea, mas deixou um legado que resiste ao tempo, às modas e às simplificações. Sua música segue viva porque fala de amor, solidão, liberdade e desejo com uma elegância indomável — a de quem nunca precisou se encaixar para ser eterno.

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