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Frank Zappa, 32 anos depois: o maestro do caos continua irrefutável
Compositor fez do experimentalismo uma ética, um estilo e uma afronta permanente.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 04/12/2025 06:00
Música
Zappa segue indomável, inquieto, genial e inexplicável, 32 anos depois (Foto: Reprodução IA)

Frank Vincent Zappa morreu em 4 de dezembro de 1993, aos 52 anos, vítima de um câncer de próstata. Trinta e dois anos depois, sua ausência física importa menos do que a presença quase insólita de sua obra. Um território em que rock, jazz, poesia falada, composição erudita, ironia política e delírio sonoro convivem sem pedir desculpas.


Revisitar Zappa é regrasar a um pedaço da música contemporânea que recusou a domesticação e seguiu perturbando certezas muito depois de seu silêncio final.

Prodígio autodidata, obcecado por timbres e arquiteturas musicais, Zappa despontou nos anos 1960 à frente do The Mothers of Invention, banda que expandiu o rock para regiões onde o gênero jamais tinha pisado. Freak Out! (1966), seu álbum de estreia, foi um manifesto pré-psicodélico, antropofágico e debochado. Em seguida, Zappa mergulhou em formas cada vez mais complexas, dialogando com Edgar Varèse, Stravinsky e o free jazz, ao mesmo tempo em que satirizava a hipocrisia americana, a indústria fonográfica, a política e até seus próprios fãs. Ele fazia música como quem desmonta uma máquina para ver onde ela range, e depois recoloca tudo de volta, só que funcionando do avesso.

Sua carreira foi inesgotável, com mais de 60 álbuns lançados em vida, dezenas de gravações póstumas, uma produção de estúdio que combinava rigor obstinado e improvisação radical, além de momentos históricos como os espetáculos com a London Symphony Orchestra e o lendário Hot Rats (1969), ponte entre o rock e a improvisação instrumental sofisticada. Zappa era também um agitador cultural: defendeu a liberdade artística em audiências no Senado dos EUA, enfrentou a censura, criticou a superficialidade midiática e virou símbolo do pensamento independente, mesmo sem se filiar a nenhum movimento. Tudo isso porque, no fundo, todos os movimentos eram pequenos demais para ele.

Sua morte precoce cristalizou algo que já estava evidente. Zappa não fazia parte de uma época, mas essência de uma linhagem. Hoje, é reverenciado por músicos de jazz, compositores clássicos, roqueiros progressivos, experimentadores eletrônicos e qualquer artista que entenda que vanguarda não é pose, é construção. Seu legado permanece como um desafio, e ouvir Zappa exige entrega, curiosidade e disposição para se perder. E é justamente nesse labirinto que ele se tornou eterno.

Trinta e dois anos depois, Zappa segue como o que sempre foi: indomável, inquieto, genial e inexplicável. Uma lembrança viva de que a música só continua avançando quando alguém tem coragem de desmontá-la.

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