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Warren Zevon foi um poeta ácido que riu da morte antes que ela chegasse
Entre lobisomens, ironia e despedidas sem romantização, o compositor cult segue como um dos nomes mais honestos e inquietos do rock.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 24/01/2026 11:28 • Atualizado 24/01/2026 11:31
Música
Warren Zevon nunca buscou conforto, mas deixou verdades afiadas (Foto: Divulgação)

Neste sábado, 24 de janeiro, Warren Zevon completaria 79 anos. Ícone cult do rock norte-americano, o compositor que transformou ironia, melancolia e humor negro em literatura musical segue influenciando gerações com canções que encaram a vida e a morte sem anestesia. Um artista que nunca buscou conforto, mas deixou verdades afiadas que ainda ecoam com força.

 

Warren Zevon é daqueles artistas que parecem escritos à margem da história, e justamente por isso continuam vivos. Ele foi cantor, compositor e músico norte-americano, nascido em 1947, dono de uma obra afiada, irônica, sombria e emocionalmente brutal, que mistura rock, folk, blues, humor negro e literatura de um jeito muito próprio.

Quem foi Warren Zevon


Zevon nunca foi um astro óbvio. Ele era o cara que os grandes músicos admiravam, mesmo quando o público em geral ainda não tinha entendido. Amigo e protegido de Jackson Browne, frequentava o mesmo círculo de Bob Dylan, Bruce Springsteen e Neil Young, mas caminhava por um território mais ácido e menos confortável.


Ele escrevia canções sobre morte, vício, violência, fracasso, culpa, amor torto e o absurdo da existência, sempre com uma inteligência quase cruel. Era o tipo de compositor que fazia você rir e, dois versos depois, sentir um soco no estômago.

A música que todo mundo conhece (mesmo sem saber)


A canção mais famosa dele é “Werewolves of London” (1978). Muita gente conhece o riff, mas não percebe que aquilo é uma sátira cheia de referências culturais, escrita quase como uma piada privada entre músicos. O sucesso dessa música acabou criando uma imagem enganosa: Zevon não era leve, nem festivo. Ele era afiado.

Discografia essencial

Se alguém quiser entender Warren Zevon de verdade, esses discos são fundamentais:

  • Warren Zevon (1976) – estreia madura, com produção de Jackson Browne; já traz o sarcasmo e o lirismo trágico.

  • Excitable Boy (1978) – o clássico absoluto. Humor negro em estado puro (“Lawyers, Guns and Money”, “Roland the Headless Thompson Gunner”).


  • Bad Luck Streak in Dancing School (1980) – mais introspectivo, ainda mordaz.

  • Life’ll Kill Ya (2000) – escrito quando ele já encarava a própria mortalidade.

  • The Wind (2003) – o disco de despedida, gravado após o diagnóstico de câncer; devastador e digno.


Um letrista cruelmente honesto


Zevon escrevia como quem não pede desculpas. Em “Roland the Headless Thompson Gunner”, cria um mercenário sem cabeça vagando pela África. Em “Lawyers, Guns and Money”, transforma o caos pessoal em épico cínico. Em “Desperados Under the Eaves”, fala de alcoolismo com uma clareza que assusta.

E quando soube que estava morrendo, não tentou romantizar. Sua frase mais citada vem de uma entrevista final, no programa de David Letterman:

“Enjoy every sandwich.”
(Aproveite cada sanduíche.)


Não era filosofia barata. Era aceitação nua e crua.


O fim e o legado

Warren Zevon morreu em 2003, aos 56 anos, vítima de um câncer agressivo. Seu último álbum, The Wind, conta com participações de amigos como Bruce Springsteen, Tom Petty, Emmylou Harris e Don Henley. Não por marketing, mas por respeito. Eles sabiam que estavam acompanhando um adeus.

Hoje, Zevon é visto como um compositor de culto, um escritor de canções que encarou a vida sem filtro, sem heroísmo falso e sem promessas de redenção fácil. Ele não oferecia consolo, apenas verdade.

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