Uma voz, um piano e a canção em primeiro plano. É com essa formação que Oswaldo Montenegro apresenta “Serenata”, álbum disponível nas plataformas digitais, com distribuição da ONErpm. Nas quinze faixas, o cantor e compositor aproxima seu repertório da obra de outros autores brasileiros e recupera a ideia da música como uma conversa dirigida a alguém.
A referência à serenata orienta o projeto: o gesto de oferecer uma canção, com atenção à palavra e à interpretação. Acompanhado pelo próprio piano, Montenegro escolhe uma instrumentação que dá espaço ao timbre, às pausas e às diferentes intenções de cada verso.
O repertório reúne músicas autorais e releituras de Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Dolores Duran. A proposta coloca essas composições em um mesmo ambiente sonoro, conduzido pela relação entre o canto e o teclado.
Canções novas encontram outras gerações
O lançamento chega em um período de circulação da obra de Montenegro nas redes. Segundo os números divulgados pela produção, as canções “O Alívio” e “Por Onde Deus Sorri” ultrapassam, juntas, 50 milhões de visualizações.
São músicas inéditas que ampliam o contato do artista com novos ouvintes, ao mesmo tempo que mantêm o vínculo com quem acompanha sua trajetória. Nesse contexto, “Serenata” oferece uma aproximação com outra dimensão de seu trabalho: a interpretação de um repertório que atravessa diferentes épocas da música brasileira.
A escolha por voz e piano concentra a atenção nos detalhes da execução. Sem uma banda dividindo o espaço dos arranjos, o instrumento sustenta o canto e participa da construção do clima de cada faixa.
Uma trajetória que também passa pelo palco e pela tela
A carreira de Oswaldo Montenegro se estende para além dos discos e shows. Compositor, instrumentista, diretor e roteirista, ele desenvolveu uma produção que reúne teatro musical, cinema, televisão e literatura.
Entre seus trabalhos audiovisuais estão “Léo e Bia”, com Emilio Dantas e Paloma Duarte; “Solidões”, com Vanessa Giacomo, Renato Góes e o próprio Montenegro; além de “O Perfume da Memória” e “A Chave do Vale Encantado”. Também assina a série “De Sonhos e Segredos”, realizada para o Canal Brasil.
No teatro, sua trajetória inclui espetáculos como “A Dança dos Signos”, “Noturno” e “Veja Você, Brasília”, que teve Cássia Eller no elenco. Suas composições ganharam ainda interpretações de artistas como Ney Matogrosso, Gonzaguinha, Zizi Possi, Zélia Duncan, Zé Ramalho e Alceu Valença.
Em “Serenata”, essa experiência de contar histórias se acomoda em uma formação enxuta. O disco propõe ouvir de perto: acompanhar a letra, perceber a respiração e deixar que voz e piano determinem o tempo da canção.