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“One by One”, 24 anos de um Foo Fighters entre o ataque e a reconstrução
Quarto álbum da banda encontra em “All My Life” e “Times Like These” duas maneiras de lidar com a inquietação
Por Redação Rádio VB
Publicado em 22/10/2026 06:00
Música
“One by One” guarda o som de uma banda exigindo muito dos amplificadores (Foto: Divulgação)

O riff de “All My Life” parece trabalhar com os dentes cerrados. A guitarra insiste, a bateria pressiona e Dave Grohl segura a voz até perder a compostura. Logo na abertura, “One by One” estabelece sua temperatura: um rock físico, de som encorpado, feito por uma banda que sabe transformar tensão em refrão. Lançado em 22 de outubro de 2002, o quarto disco do Foo Fighters chega aos 24 anos com essa descarga ainda funcionando.

Há uma aspereza particular no álbum. As guitarras ocupam bastante espaço, e Grohl alterna o canto melódico com gritos que parecem arranhar a superfície das músicas. Em “Low”, a repetição cria um ambiente sufocante; “Have It All” põe o peso para andar com mais desenvoltura. A bateria de Taylor Hawkins dá movimento a esse conjunto, encontrando brechas para que as canções respirem mesmo nos trechos mais carregados.

“Times Like These” muda a perspectiva. Sua introdução atravessada desemboca em uma das melodias mais reconhecíveis do grupo, com uma letra sobre reaprender a viver que encontrou vida própria fora do disco. A canção tem uma abertura emocional capaz de alcançar quem nunca se interessou pelas guitarras mais agressivas da banda. Dentro do álbum, funciona como uma janela aberta depois de uma discussão longa.

A participação de Brian May em “Tired of You” acrescenta outra textura. A faixa contida, quase suspensa, permite ouvir um Foo Fighters menos apressado para chegar ao impacto. Já “Come Back”, no encerramento, alonga o percurso e explora a construção instrumental, oferecendo uma saída mais ambiciosa para um trabalho frequentemente lembrado pelos singles.

Primeiro álbum de estúdio do grupo com Chris Shiflett, “One by One” também registra uma formação ganhando identidade em conjunto. O Grammy de Melhor Álbum de Rock reconheceu sua repercussão, embora a audição completa revele um repertório menos uniforme do que seus grandes momentos podem sugerir. Algumas faixas deixam uma impressão mais duradoura; outras dependem bastante da força da execução.


Passadas mais de duas décadas, é justamente essa mistura de potência e irregularidade que dá interesse ao disco. “One by One” guarda o som de uma banda exigindo muito dos amplificadores e de si mesma. Quando acerta, como em “All My Life” e “Times Like These”, encontra uma linguagem direta para sentimentos difíceis de organizar e deixa o ouvinte com vontade de aumentar o volume.

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