Google Analystic
Chuck Berry faria 100 anos com sua guitarra ainda no centro do rock
Nascido em 18 de outubro de 1926, músico criou um repertório que atravessou gerações e ajudou a definir o som, a linguagem e a atitude do gênero
Por Redação Rádio VB
Publicado em 18/10/2026 06:00
Música
Chuck Berry, que completaria 100 anos neste domingo, 18 de outubro (Foto: AP Photo/James A. Finley)

Bastam os primeiros acordes de “Johnny B. Goode” para reconhecer a assinatura. Antes mesmo de a voz entrar, a guitarra anuncia um jeito de tocar que se espalhou por bandas de garagem, grandes palcos e décadas de gravações. Chuck Berry, que completaria 100 anos neste domingo, 18 de outubro, permanece nessa espécie de memória muscular do rock, e seus desenhos de guitarra continuam passando de mão em mão.


Nascido em St. Louis, nos Estados Unidos, em 1926, Charles Edward Anderson Berry foi um dos arquitetos do rock and roll. Cantor, compositor e guitarrista, reuniu referências do blues, do rhythm and blues e do country em músicas que deram forma aos desejos e às inquietações da juventude.


Uma guitarra que aprendeu a contar histórias


A projeção nacional veio em 1955, com “Maybellene”, lançada pela Chess Records. O encontro com a gravadora aconteceu depois de uma orientação de Muddy Waters, procurado por Berry durante uma passagem por Chicago. A faixa chegou ao primeiro lugar da parada de R&B e ao quinto da parada pop americana.

Na gravação, velocidade, ciúme e automóveis se encaixavam em uma narrativa tão movimentada quanto a guitarra. Essa capacidade de construir pequenas cenas seria uma das grandes qualidades do compositor. Berry escrevia com humor, observação e atenção ao ritmo das palavras, fazendo personagens e situações caberem em poucos minutos.


“Roll Over Beethoven”, “Sweet Little Sixteen”, “School Days” e “Rock and Roll Music” ampliaram esse universo. Escola, diversão, namoro e vontade de escapar da rotina viraram matéria para canções que ajudaram o rock a encontrar seu público e seu vocabulário. O Rock & Roll Hall of Fame destaca justamente essa combinação entre narrativa e inovação instrumental como parte central de sua contribuição.


O caminho até Beatles e Rolling Stones


A parceria com o pianista Johnnie Johnson, iniciada em 1953, foi importante na formação daquele som. Nos clubes de St. Louis, Berry desenvolveu uma mistura que colocava repertórios e públicos diferentes na mesma pista, em uma sociedade atravessada pela segregação racial.


A geração britânica que conquistaria o mundo nos anos 1960 encontrou ali uma referência decisiva. Beatles e Rolling Stones gravaram suas composições, levando a novos ouvintes músicas que já traziam boa parte das ferramentas do gênero: introduções marcantes, balanço e letras com personalidade.


Ouvir Berry depois de conhecer essas bandas produz uma sensação curiosa: muita coisa parece familiar porque seus sucessores aprenderam com ele. A guitarra responde à voz, conduz a dança e prepara a próxima mudança. Mesmo quando o arranjo é econômico, há movimento por toda parte.


Um repertório que continua circulando


Em 1986, Chuck Berry integrou a primeira turma do Rock & Roll Hall of Fame, apresentado por Keith Richards. O reconhecimento registrava uma influência que já podia ser ouvida em diferentes gerações de músicos.


Berry morreu em março de 2017, aos 90 anos. Seu último álbum de estúdio, “Chuck”, saiu em junho daquele ano, reunindo gravações que ele acompanhou até a fase final de produção.


O centenário oferece uma boa ocasião para voltar às gravações e prestar atenção ao que a familiaridade às vezes esconde. Há precisão, malícia e prazer na maneira como aquelas músicas avançam. “Johnny B. Goode” pode ter virado um clássico obrigatório, mas sua guitarra ainda soa como um convite para começar uma banda.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!