O terror de “Carrie: A Estranha” ganhou novos meios de propagação. Na adaptação que estreou nesta quarta-feira (7) no Prime Video, a humilhação ultrapassa os corredores da escola e encontra nas redes sociais uma plateia permanente. Os oito episódios foram disponibilizados de uma só vez, na primeira versão em série do romance de Stephen King. Mike Flanagan assina o roteiro, atua como produtor executivo e dirige quatro capítulos.
Summer H. Howell interpreta Carrie White, adolescente criada sob a vigilância da mãe, Margaret, vivida por Samantha Sloyan. Após a morte do pai, a jovem precisa enfrentar o ambiente hostil de uma escola de ensino médio. Um episódio de bullying que viraliza e o despertar de poderes telecinéticos tornam ainda mais difícil sua entrada nesse mundo.
A atualização oferece um caminho fértil para revisitar a história. Uma agressão filmada pode ser reproduzida indefinidamente; o constrangimento acompanha a vítima até dentro de casa. É nessa extensão da crueldade cotidiana que a nova “Carrie” pode encontrar sua identidade, além da comparação inevitável com o filme de Brian De Palma.
O desafio dos próximos capítulos
O formato de oito episódios permite desenvolver as relações familiares, os colegas e o ambiente que cerca a protagonista. Também impõe uma exigência: cada história paralela precisa acrescentar tensão, sem afastar Carrie do centro da narrativa.
A expectativa para o restante da temporada está nessa construção. O desfecho conhecido torna especialmente importante o percurso até ele: compreender a solidão da personagem, o peso da repressão materna e as escolhas de quem participa ou assiste às agressões.
Para sustentar uma nova leitura, a série precisará fazer com que o público se importe com Carrie antes de temer seus poderes. O horror tem sua matéria-prima nas pessoas ao redor dela.