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Documentário "Assassinato em Mônaco" revive caso emblemático
Produção recém-lançada revisita o incêndio que matou Edmond Safra e reabre suspeitas, erros investigativos e teorias nunca encerradas.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 11/01/2026 13:08 • Atualizado 11/01/2026 13:09
Entretenimento
O incêndio em Mônaco que matou Edmond Safra virou um dos maiores mistérios financeiros do século (Foto: Divulvação)

Recém-chegado ao catálogo brasileiro da Netflix, o documentário Assassinato em Mônaco mergulha em um dos crimes mais enigmáticos do fim do século 20: a morte do banqueiro Edmond Safra, vítima de um incêndio criminoso em sua cobertura no Principado de Mônaco, em dezembro de 1999. Com estrutura de whodunnit (o clássico “quem matou?”), o filme recompõe o quebra-cabeça de um caso cercado por poder, dinheiro e contradições.

Nascido em Beirute e naturalizado brasileiro, Safra construiu um império financeiro global, mas também desenvolveu uma obsessão crescente por segurança. Paradoxalmente, nem os protocolos rígidos, nem o “quarto do pânico” instalado em sua residência foram suficientes para impedir o desfecho trágico. Segundo o documentário, dois homens armados e encapuzados teriam invadido a cobertura, provocado o incêndio e fugido sem levar nada. Um indício claro de que o objetivo não era roubo, mas execução.

Na madrugada de 3 de dezembro de 1999, Safra se refugiou no quarto do pânico ao lado da enfermeira Vivian Torrente, responsável por seus cuidados. Ambos morreram asfixiados pela fumaça. A cena encontrada pelas autoridades levantou ainda mais dúvidas: o banqueiro estava sentado em uma poltrona, enquanto a enfermeira foi localizada morta aos seus pés, em uma disposição considerada incomum para vítimas de incêndio.


O documentário avança ao investigar suspeitos, motivações e possíveis falhas das autoridades. Uma das primeiras hipóteses aponta para a máfia russa, após Safra perder cerca de um bilhão de dólares em negócios envolvendo organizações criminosas do Leste Europeu. Outra linha se concentra em Ted Maher, enfermeiro e ex-integrante das Forças Especiais do Exército dos EUA, encontrado ferido e alegando ter sido esfaqueado durante uma luta com os invasores.


Há ainda a suspeita mais controversa: Lily Safra, viúva do banqueiro. Presente na cobertura no momento do incêndio, ela conseguiu escapar logo no início e herdou toda a fortuna após a morte do marido. As investigações da época chegaram a apontá-la como possível mandante do crime. A tese nunca foi definitivamente comprovada.

 
Dirigido por Hodges Usry, Assassinato em Mônaco conta com depoimentos de investigadores, peritos e jornalistas que acompanharam o caso de perto, entre eles a repórter investigativa Isabel Vincent, do New York Post, que chegou a se mudar para o Rio de Janeiro durante a apuração. O resultado é um retrato inquietante de um crime que, mais de duas décadas depois, segue sem respostas conclusivas.

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